A publicidade
e as liberdades públicas
Data: 01/03/2002 |
Ao comentar o livro Sem logo, da canadense Naomi
Klein, o jornalista Nelson Blecher, um dos editores da revista Exame,
teceu algumas interessantes considerações sobre a publicidade. O livro
da canadense é o último de uma linhagem notoriamente antimarketing
e publicidade. Sem logo considera que as marcas, pela publicidade,
tentariam impor aos cidadãos indefesos valores e estilos de vida calcados
no consumismo desenfreado.
Vale a pena conferir algumas da idéias de Blecher a este respeito.
"Ao ativar a publicidade, as marcas colaboram com a preservação de
liberdades públicas. Sobretudo nos países emergentes, onde o poder
dos governos, este sim, ainda é imenso, a propaganda comercial continua
como a maior fiadora da liberdade de imprensa, tão necessária para
a construção de uma sociedade democrática."
E mais: "O julgamento dos consumidores sobre as próprias marcas não
pode ser subestimado. Quando elas pisam na bola - como aconteceu com
o logro das embalagens no Brasil ou a exemplo do que fez a Nike com
o trabalho infantil na Ásia e a Coca-Cola com estoques contaminados
na Bélgica -, têm sua imagem abalada. Não por acaso, as companhias
que dominam as marcas mais valiosas do mundo são as que mais se esmeram
nas práticas de marketing social. Em países como o Brasil, seus projetos
de apoio a comunidades carentes ajudam a suprir omissões de governos
- além de despertar os funcionários para a importância das atividades
voluntárias.
E conclui: "Transformar as marcas numa arma ideológica parece tão
frágil quanto um castelo de cartas".
A íntegra do artigo de Nelson Blecher está na página 135 da edição
761 de Exame. Assinantes do UOL podem ler o artigo pela Internet
no endereço www2.uol.com.br/exame/edatual/pgart_0501_exa761_135.html
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