Responsabilidade
social empresarial na visão do consumidor
Data:15/09/2002 |
O cidadão brasileiro está se tornando cada vez mais
consciente e seletivo. Nos últimos anos, ele passou a incorporar o
exercício de direitos e deveres em sua prática de consumo, substituindo
o velho conceito de que exigir qualidade e preço era "falta de educação".
Sintoma disso é o fortalecimento das entidades de defesa do consumidor
e a presença quase obrigatória do serviço de atendimento ao consumidor
(SAC) na maioria das grandes empresas. Entretanto, quais os critérios
referentes às práticas empresariais o consumidor leva em conta no
ato da compra? Quais atitudes o estimulariam a comprar determinado
produto? Quais fariam com que ele deixasse de comprá-lo?
Essas são algumas questões levantadas pela Pesquisa Responsabilidade
Social das Empresas - Percepção do Consumidor Brasileiro, versão 2002.
O cenário avaliado pelos entrevistados é sombrio: 70% discordam da
afirmativa "o país está no caminho certo". Quando se trata do planeta,
76% deles acreditam que não estamos no caminho certo. É muita gente
descontente com os rumos da humanidade. Mas as empresas podem ajudar
a mudar essa direção. Os consumidores entrevistados esperam que as
empresas tenham um comportamento ético e garantam a saúde bem como
o tratamento justo dos trabalhadores. Para 86% do grupo denominado
formadores de opinião, as atividades de uma empresa socialmente responsável
"devem ir além do que as leis exigem". Para 83% deles, "as grandes
empresas deveriam ter a responsabilidade de ajudar a reduzir a distância
entre ricos e pobres".
Realizado anualmente, desde 2000, pelo Instituto Ethos de Empresas
e Responsabilidade Social, em parceria com a Indicator Pesquisa de
Mercado, o levantamento faz parte de um estudo global desenvolvido
em mais de vinte países pelo instituto canadense Environics International
Ltd. O objetivo da pesquisa é acompanhar como os consumidores percebem
a responsabilidade social empresarial e de que modo essa percepção
se manifesta em suas atitudes e comportamentos.
A pesquisa aponta para a tendência, observada desde o primeiro ano
de sua aplicação, de que algumas atitudes da empresa estimulam o consumidor
a comprar seus produtos e a recomendá-los a seus amigos. Empatados
tecnicamente, "colaborar com escolas, postos de saúde e entidades
sociais da comunidade" (44%) é tão estimulante quanto "contratar pessoas
portadoras de deficiência física" (42%). Da mesma maneira, algumas
atitudes empresariais podem levar a que o consumidor jamais volte
a consumir seus produtos. "Veicular propaganda enganosa" é a primeira
delas (43%). "Causar danos físicos ou morais aos seus trabalhadores"
e "colocar mulheres, crianças e idosos em situações constrangedoras
em suas propagandas" são outras atitudes condenáveis. E se a empresa
estiver envolvida em corrupção e pagamento de propinas? Embora não
esteja entre as primeiras atitudes de rejeição, quando perguntados
especificamente sobre essa questão, 80% declararam que deixariam de
comprar seus produtos.
Em sua terceira edição consecutiva, a pesquisa já é uma importante
fonte de informações para balizar o nível de percepção do consumidor
brasileiro frente aos conceitos e práticas empresariais socialmente
responsáveis. O conteúdo completo da publicação Responsabilidade Social
das Empresas - Percepção do Consumidor Brasileiro, Pesquisa 2002 está
disponível no site www.ethos.org.br, na área de "Publicações".
Oded Grajew é diretor-presidente do Instituto Ethos de Empresas
e Responsabilidade Social. É conselheiro do Conar, atuando na 2ª Câmara,
representando os consumidores. E-mail: ograjew@ethos.org.br
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