| Representação nº 121/87
Denunciante: Scali, McCabe, Sloves Propaganda
Denunciado: anúncio "Virou verão. A virada da Moda"
Anunciante: Fashion Shopping Brasileiro
Agência: Empório Propaganda Ltda.
Relator: Conselheiro Piero Fioravanti
- Agência associada ao Conar denunciou anúncios produzidos por
outra Agência, veiculados com o mote-título "Virou verão - A Virada
da Moda", alegando ter-se utilizado, em 1986, de conceito e expressões
semelhantes na propaganda do produto Trevira.
O parecer do relator do processo, acolhido pela Câmara, foi, na
íntegra, o seguinte:
"Depois de atenta análise da denúncia da Scali, McCabe, Sloves
Propaganda e da defesa das denunciadas Fashion Shopping Bras. e
Empório Propaganda, não vejo como aceitar a representação já que
concordo com o termos da defesa e não vejo como qualificar um plágio
na utilização de expressões tão corriqueiras."
A defesa, perfilhada pelo Sr. Relator, apresentada pelos denunciados,
disse o seguinte:
"Acolhemos citação emitida pelo Conar produzindo encaminhamento
de correspondência da agência Scali, MacCabe, Sloves Propaganda,
onde se reclama da parecença ou suposta similitude entre o título
Trevira vira moda e você vira sucesso, desenvolvido para
seu cliente Trevira (Hoechst - Departamento de Fibras), e o título
Virou o Verão, estampado nos anúncios de revistas e jornais
publicados por Fashion Shopping Bras.
Baseando-se em apressada comparação das duas frases, a citada agência
passa a acusar-nos, em sua carta, de "lamentável fato de plágio
publicitário".
Ora, tal acusação, ao límpido exame de bom julgador, saltará imediatamente
como imprópria, improcedente e impertinente.
Não havendo semelhança de intento, de tempo verbal, de sujeito
de oração, de substantivo ou qualificativo, ficamos sem saber onde
é que a Scali, McCabe, Sloves foi arrumar motivo para tão grave
acusação.
Se a citada agência espera justificar sua insolência apontando
o uso, em ambos os títulos, do verbo virar, deveria lembrar-se
que o mesmo aparece em inúmeras manchetes e textos de anúncios anteriores
ao da Trevira, o que - a seguirmos o seu suposto trilho de argumentação
- viria caracterizar-se incidência de imitação ou plágio cometido
pela própria Scale, McCabe, Sloves Propaganda.
Cópias xerox dessas publicações seguem em anexo à presente, comprovando
nossas alegações.
De mais a mais, o verbo virar, em suas diversas flexões,
é de uso corrente, prestando-se mesmo a compor expressões vulgares
como, por exemplo: Vira-mundo, da pá virada. Virado à paulista.
Página virada. Vira-e-mexe. Vira-casaca. Virou a mão. Na virada
da montanha. Vira-e-volta. Dar uma virada no jogo. Chutar de virada.
Está virando, vai virar, já virou, vire-se!
Outro exemplo é O Engenheiro que virou suco - nome de uma lanchonete
situada na Av. Paulista e em pleno funcionamento.
Isso, sem esquecer do sapo que vira príncipe e da carruagem que
vira abóbora nos contos da infância; da canção do "Vira-vira", lembrada
em alegres reuniões alcoólicas; do cachorro vira-lata, e nem mesmo
do Anum-pequeno ou Anum-preto, ave insetívora muito comum nos pastos
do Brasil, usualmente apelidada por nome composto com o verbo virar
- infelizmente aqui impublicável.
Pelos mesmos motivos fica comprometida a presunção da citada agência
em garantir ao cliente Trevira que o título de seu anúncio passa
a constituir "conceito permanente de sua comunicação, posicionamento
e diferencial" (sic).
Por fim cabe alertar à reclamante que o título de nosso anúncio
não é Virou verão", conforme está reproduzido na cita missiva,
e sim Virou o Verão - o que empresta sentido diverso à frase.
Diante do exposto, resta-nos solicitar ao Conar que destine aos
arquivos a improcedente reclamação.
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