| O professor Denis Lerrrer Rosenfield assinou artigo
na Folha de S.Paulo de ontem onde alerta para restrições
crescente à liberdade de escolha no Brasil, que colocam em
risco uma série de questões relativas à formação
da opinião pública e aos consensos estabelecidos que
são, em boa parte dos casos, "de natureza ideológica
e política e não científica".
O autor cita como o exemplo o debate em torno de leis que visariam
proteger o fumante passivo, mesmo que evidências científicas
não associem o fumo passivo a doenças do aparelho
respiratório. Na opinião de
Rosenfield, "fumantes e não fumantes devem ser preservados,
cada um em suas escolhas, um não interferindo na do outro".
"O nó da questão reside na formação
da opinião pública. Os formadores de opinião
antitabagistas e os agentes públicos tornaram a sua campanha
uma questão de ativismo político, recusando quaisquer
opiniões que contrariem as suas crenças. Antes de
qualquer conclusão científica, estabelece-se um consenso
do ponto de vista da opinião pública, toda posição
contrária vindo a ser considerada uma espécie de anátema",
afirma Rosenfield, indo além: "O que está em
questão é a posição ideológica,
e não o debate racional. Estamos diante de uma mentalidade
autoritária que procura, de qualquer maneira, fazer avançar
as suas propostas, tanto mais perigosa na medida em que se abriga
sob o manto da ciência, do bem e do politicamente correto."
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