de
Eduardo Alves Costa, Niterói,
RJ, 1936
Tu sabes,
Conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não
se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer
nada.
Excerto do Poema
publicado no livro 'Os Cem Melhores
Poetas Brasileiros do Século',
organizado por José Nêumanne
Pinto, pág. 218.
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