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A IMPORTÂNCIA DE SER VENCIDO
Por: Rino Ferrari Filho

Antes de participar do Conselho de Ética do Conar na condição de representante da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), já participara de algumas das suas reuniões, acho que por duas vezes, acompanhando clientes da nossa agência. Embora meu respeito pela instituição fosse muito grande, a defesa ardorosa do ponto de vista que defendia fez com que eu avaliasse os ritos adotados pelo Conar como que possuídos de certo ranço de Poder Judiciário – visão preconceituosa de quem não admitia perder um processo.

Ledo engano, até mesmo porque o necessário rito é questão de somenos. Isso verdadeiramente não combinava – e até hoje não combina – comigo, especialmente porque sempre entendi possuir um senso de justiça bem desenvolvido.

Minha participação como membro do Conselho de Ética e, em especial, o primeiro processo que me foi distribuído para relatar (bastante complexo, aliás) fez-me ver com que profundidade as representações são analisadas e como o Código ético-publicitário e o Regimento Interno do Conselho de Ética são aplicados. Na minha “estréia”, meu voto foi acompanhado por unanimidade pelos conselheiros presentes, o que, confesso, me deixou muito feliz. E segui colhendo unanimidades para os meus relatórios e votos em outros processos, chegando a fantasiar que o bom senso seria sempre unânime.

Nunca pensei o quanto seria importante ver um voto meu ser vencido na discussão com os outros conselheiros – até que esse dia aconteceu.

A partir de então, meu respeito pelo Conar duplicou, pois ficou transparente a pluralidade de visões que se faz presente nas Câmaras de Ética, refletindo não apenas a universalidade da comunicação, mas o próprio conjunto de pensamentos que compõem a sociedade em todas as suas nuances. Embora alguns conselheiros sejam mais liberais, outros mais conservadores, alguns mais “pacíficos”, outros mais “guerreiros”, alguns publicitários, outros consumidores, cada qual com a sua personalidade e vivências peculiares, todos, sem exceção, buscam ser justos e acertar. Por que têm assento em cadeiras (não bancos) concebidas para quem é ético na essência, gente que ao abrir a boca e usar a caneta está se expondo pessoal e profissionalmente. Pessoas que representam o negócio publicitário no que ele tem de melhor e participam dele com seriedade. Por uma questão de respeito, de consciência e, acima de tudo, de amor pela verdade.

É muito bonito e importante como tudo acontece. Sinto prazer em estar nas reuniões do Conselho de Ética tanto quanto em minha agência. E sei que os demais conselheiros também sentem o mesmo, apesar da falta de tempo que assola a todos.

Talvez essa satisfação dos “julgadores” seja o último, mas o não menos importante ingrediente que faz do Conar o grande sucesso que é.

Agradeço a todos de lá os reflexos de justiça e pluralidade que têm iluminado o mundo da propaganda, mesmo nos momentos mais difíceis.

RINO FERRARI FILHO É PRESIDENTE DA RINO PUBLICIDADE