| Antes de participar do Conselho de Ética
do Conar na condição de representante da Associação
Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), já participara
de algumas das suas reuniões, acho que por duas vezes, acompanhando
clientes da nossa agência. Embora meu respeito pela instituição
fosse muito grande, a defesa ardorosa do ponto de vista que defendia
fez com que eu avaliasse os ritos adotados pelo Conar como que possuídos
de certo ranço de Poder Judiciário – visão
preconceituosa de quem não admitia perder um processo.
Ledo engano, até mesmo porque o necessário rito é
questão de somenos. Isso verdadeiramente não combinava
– e até hoje não combina – comigo, especialmente
porque sempre entendi possuir um senso de justiça bem desenvolvido.
Minha participação como membro do Conselho de Ética
e, em especial, o primeiro processo que me foi distribuído
para relatar (bastante complexo, aliás) fez-me ver com que
profundidade as representações são analisadas
e como o Código ético-publicitário e o Regimento
Interno do Conselho de Ética são aplicados. Na minha
“estréia”, meu voto foi acompanhado por unanimidade
pelos conselheiros presentes, o que, confesso, me deixou muito feliz.
E segui colhendo unanimidades para os meus relatórios e votos
em outros processos, chegando a fantasiar que o bom senso seria
sempre unânime.
Nunca pensei o quanto seria importante ver um voto meu ser vencido
na discussão com os outros conselheiros – até
que esse dia aconteceu.
A partir de então, meu respeito pelo Conar duplicou, pois
ficou transparente a pluralidade de visões que se faz presente
nas Câmaras de Ética, refletindo não apenas
a universalidade da comunicação, mas o próprio
conjunto de pensamentos que compõem a sociedade em todas
as suas nuances. Embora alguns conselheiros sejam mais liberais,
outros mais conservadores, alguns mais “pacíficos”,
outros mais “guerreiros”, alguns publicitários,
outros consumidores, cada qual com a sua personalidade e vivências
peculiares, todos, sem exceção, buscam ser justos
e acertar. Por que têm assento em cadeiras (não bancos)
concebidas para quem é ético na essência, gente
que ao abrir a boca e usar a caneta está se expondo pessoal
e profissionalmente. Pessoas que representam o negócio publicitário
no que ele tem de melhor e participam dele com seriedade. Por uma
questão de respeito, de consciência e, acima de tudo,
de amor pela verdade.
É muito bonito e importante como tudo acontece. Sinto prazer
em estar nas reuniões do Conselho de Ética tanto quanto
em minha agência. E sei que os demais conselheiros também
sentem o mesmo, apesar da falta de tempo que assola a todos.
Talvez essa satisfação dos “julgadores”
seja o último, mas o não menos importante ingrediente
que faz do Conar o grande sucesso que é.
Agradeço a todos de lá os reflexos de justiça
e pluralidade que têm iluminado o mundo da propaganda, mesmo
nos momentos mais difíceis.
RINO FERRARI FILHO É PRESIDENTE DA RINO PUBLICIDADE
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