Deputado Fernando Ferro
Vendida na grande mídia como uma suposta paixão,
cercada de forte aparato publicitário, a cerveja é
elencada como unanimidade nacional. É o símbolo
do happy hour, a bebida que "agrega" e remete à
felicidade instantânea.
O irônico nesta história é a forma cínica
como tratamos as drogas lícitas e ilícitas. Numa
somos tolerantes, desde as responsabilidades do ambiente familiar
até os interesses de mercado. Na outra exigimos o rigor,
a repressão e temos o discurso claro dos seus malefícios
à saúde e à sociedade. Não dá
para ser assim. Drogadição é doença,
independentemente de seu lado legal ou ilegal. Precisamos ter
políticas para combatê-la ou, no limite, estabelecer
políticas de redução de danos.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde,
o alcoolismo é a terceira doença que mais mata no
mundo. O II Levantamento Domiciliar sobre Uso de Drogas Psicotrópicas
no Brasil, da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), em 2005,
indica que nas cidades com mais de 200 mil habitantes 12,3% das
pessoas entre 12 e 65 anos são dependentes do álcool.
Pensando em proteger nossa juventude e garantir mais saúde
à população, o governo Lula enviou para a
Câmara dos Deputados o projeto de lei 2.733/08, que reduz
de 13 para meio grau Gay-Lussac o teor alcoólico a partir
do qual, para todos os efeitos legais, uma bebida será
considerada alcoólica. Nesta perspectiva, bebidas de baixo
teor, como a cerveja, terão os horários de publicidade
restringidos. As mensagens de apelo, relacionando o álcool
ao sucesso, ficam restritas à faixa de horário entre
21h e 6h.
É preocupante que os mercados utilizem a credibilidade
da mídia para divulgar produtos que, envolvidos em embalagens,
trazem no seu conteúdo danos sérios à saúde.
Mais de 90% das internações hospitalares por dependência
estão relacionadas ao uso de bebidas.
Restringir o horário da publicidade de bebidas alcoólicas
é, portanto, uma medida de saúde pública.
É papel do Parlamento garantir que a infância e a
juventude brasileiras tenham perspectivas de crescimento efetivo,
protegendo nossa população do uso indevido das drogas.
FERNANDO FERRO é deputado federal (PT-PE).