| Depois de tantas campanhas de conscientização não
sei se ainda tem alguém que seja contra o Conar. Mesmo aqueles que
vez por outra ocupam o banco dos réus concordam que o órgão só tem
auxiliado a boa propaganda, além de ser uma garantia a mais contra
a ingerência de políticos oportunistas e organismos reguladores
estranhos à atividade.
Acredito mesmo que a sociedade seria muitíssimo beneficiada se
outros setores criassem órgãos similares ao Conar, sobretudo os
responsáveis pela programação da televisão.
Mas, lembro que, no início do Conar, um dos argumentos contra a
sua existência era o fato de que poderia restringir a criatividade
ou funcionar como um órgão de censura.
Como todos sabem, na prática não aconteceu uma coisa nem outra.
Ainda assim, essa possibilidade de restrição à liberdade e à criatividade
continua sendo pra mim o maior fantasma no momento de julgar as
peças vítimas da fúria dos consumidores ou das empresas que se sentem
prejudicadas pela ação da concorrência. Até porque, além de membro
do conselho de ética do Conar, também sou criativo e dono de agência,
“pratos” que dão um trabalhão para equilibrar.
O fantasma desaparece quando adoto como critérios básicos no julgamento
o bom senso (que às vezes pode ser o senso comum, às vezes não),
a ética, o respeito e a responsabilidade no exercício da profissão.
Sim, porque como em qualquer outra atividade, nem tudo que é lícito,
convém.
Não dá para fazer qualquer coisa em nome da liberdade ou porque
é legal. Tem o outro, tem o que pensa e sente diferente, tem o interesse
comum que deve prevalecer sobre o interesse individual, tem o respeito
pelas pessoas e pelas instituições – e a gente sabe o que acontece
quando ele deixa de existir.
Cada vez que um recurso vai a julgamento, não é a genialidade de
um ou dois criativos que está em questão. Estão em questão a opinião
de um segmento da população (mesmo que a queixa seja de apenas uma
pessoa – o que basta para dar origem a um recurso –, ela representará
sempre uma massa de consumidores), os interesses das empresas anunciantes
e o poder e limites da própria comunicação.
Sem querer elevar os publicitários à condição de astros ou semideuses,
o que definitivamente estamos longe de ser, o fato é que manipulamos
uma ferramenta capaz de influir positiva ou negativamente na vida
e no comportamento das pessoas, nos balanços e na imagem das empresas
e muitas vezes na própria dinâmica social.
É justamente para manter o equilíbrio entre tantos elementos e
interesses que existe o Conar. Sujeito, inclusive, às mesmas regras
que criou e defende, como pudemos acompanhar recentemente na ação
movida contra o órgão e a agência responsável pela criação da campanha,
pelo Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP)
e pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que não gostaram
de um dos anúncios publicado.
Eu achei ótimo. O anúncio e o protesto dos contadores. É mais uma
prova de que o Conar é necessário. E funciona. |