| Testemunha privilegiada de quase meio século de
publicidade brasileira, Fernando Soares de Camargo considera que
a fundação do Conar, em 1980, foi algo como uma demonstração pública
da maturidade do setor. "Desde os anos 60, a publicidade brasileira
vinha numa escalada de profissionalismo. No começo dos anos 80,
já era uma atividade madura, sólida, bem fundamentada e altamente
competente. O Conar foi uma espécie de coroação perante a sociedade
deste momento particularmente feliz da publicidade", diz ele.
Fernando, membro do Conselho de Ética durante praticamente toda
a existência do Conar, considera também a fundação do órgão um desdobramento
natural de algo que já estava arraigado nos pioneiros da publicidade
contemporânea brasileira. "Os fundadores da nossa profissão eram,
todos eles, homens de reputação ilibada, que já exerciam e praticavam
a ética, independentemente da existência do Código Brasileiro de
Auto-Regulamentação Publicitária. Este pôs no papel algo que já
era uma prática regular", diz ele.
Segundo Fernando, foi este sólido lastro ético que preservou a
publicidade brasileira de um desgaste maior na medida em que perdia
a sua ingenuidade e romantismo próprios dos anos 60 e 70 e avançava
rumo a uma concorrência cada vez mais acirrada nas últimas duas
décadas. "A fundação do Conar coincide com um momento-chave para
a atividade. Ali, tudo poderia ser posto a perder. Mas as sementes
do profissionalismo e da ética, felizmente, germinaram. O fortalecimento
do Conar ao longo dos anos e a unanimidade do setor em torno do
Código Brasileiro de Auto-regulamentação Publicitária podem muito
bem servir como indicadores de que o amadurecimento da publicidade
e o crescimento acelerado da concorrência entre anunciantes, agências
e veículos não se fez às custas da ética", diz ele.
Em sua carreira, iniciada ainda nos anos 50 na área de pesquisa,
Fernando passou por cinco grandes agências de publicidade e vários
anunciantes, privados e estatais, tendo sido também diretor da Fundação
Seade.
No Conar, ele representa as associações de profissionais de publicidade.
Outra importante distinção na carreira de Fernando Soares de Camargo:
ele é um dos fundadores do Idec, Instituto de Defesa do Consumidor.
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