| A ABA tornou público, ontem, em São
Paulo, documento da WFA, Federação Mundial
de Anunciantes, onde a entidade manifesta preocupação
com o grande volume de iniciativas do Executivo e Legislativo para
cercear a liberdade de expressão comercial ao mesmo tempo
em que apóia as iniciativas de autorregulamentação
conduzidas pelo mercado publicitário por meio do Conar. No
documento, a WFA considera que o setor da comunicação
no Brasil tem sido “um exemplo mundial de melhores práticas”.
“As iniciativas contra a publicidade no Brasil se mostram
alarmantes em função da sua natureza, quantidade e
número de setores em diversos níveis que serão
impactados”, diz o documento da WFA, que frisa que elas são
contrastantes com a postura de autoridade européias e americanas,
a despeito de a autorregulamentação publicitária
no Brasil até mesmo ultrapassar as recomendações
da Câmara Internacional do Comércio (ICC). “Os
reguladores da Europa e Estados Unidos têm apostado no diálogo
e na colaboração estreita entre a iniciativa privada
e os poderes públicos, entendendo o valor do conhecimento
e dos recursos da indústria para promover estilos de vida
mais saudáveis”.
Confira a íntegra do documento da WFA:
STATEMENT DA WFA PARA A ABA
A Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) relatou
para o Comitê Executivo da Federação Mundial
de Anunciantes (WFA), em sua reunião do último dia
9 de setembro, em Purchase (NY, USA), a situação que
a indústria da comunicação do Brasil enfrenta,
em face das ameaças de restrição à publicidade
de alimentos, bebidas não-alcoólicas, medicamentos
e bebidas alcoólicas. A WFA recebeu esses fatos com grande
interesse e está preocupada com a aparente falta de diálogo
entre as autoridades brasileiras e o setor da comunicação,
que tem sido um exemplo mundial de melhores práticas.
Os padrões da autorregulamentação publicitária
brasileira para a comunicação de alimentos e bebidas
não-alcoólicas, gerenciada pelo Conselho Nacional
de Autorregulamentação Publicitária (Conar),
reflete as recomendações da Câmara Internacional
do Comércio (ICC) sobre a Comunicação de Marketing
Responsável de Alimentos e Bebidas e até vai além
dessas recomendações. O Compromisso Público
sobre publicidade de alimentos e bebidas não-alcoólicas
dirigida às crianças, assinado por 24 empresas líderes
desse setor, está em simetria com o nível de responsabilidade
nessa matéria adotado na União Européia, Estados
Unidos, Canadá e Austrália.
As iniciativas contra a publicidade no Brasil se mostram alarmantes
em função da sua natureza, quantidade e número
de setores em diversos níveis que serão impactados.
A WFA entende que há 214 propostas de legislação
para restringir a publicidade em análise no Congresso Nacional.
Além disso, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), prepara-se para estabelecer - em curto
espaço de tempo - as normas mais restritivas do mundo em
termos de publicidade de alimentos e bebidas não-alcoólicas,
seguindo a recente introdução de severas restrições
no campo dos medicamentos OTC.
As correntes intenções do Governo Brasileiro em procurar
regular a comunicação de alimentos e bebidas contrasta
claramente com as políticas adotadas por quase todos os governos
do mundo, incluindo União Européia e Estados Unidos.
Os reguladores desses mercados têm apostado no diálogo
e na colaboração estreita entre a iniciativa privada
e os poderes públicos, entendendo o valor do conhecimento
e dos recursos da indústria para promover estilos de vida
mais saudáveis. Os reguladores da União Européia
e dos Estados Unidos têm cumprimentado a indústria
pela maneira pela qual os compromissos feitos foram cumpridos, em
claros e transparentes períodos de tempo e com informações
independentes e abrangentes para monitorar o impacto no mercado
dessas iniciativas. Os reguladores têm aplaudido os exemplos
de como as iniciativas voluntárias das empresas, devidamente
monitoradas, podem ajudar de forma mais rápida, mais efetiva
e a um menor custo que a intervenção regulatória,
resultando em maiores benefícios para os consumidores.
É importante destacar, ainda, que o Brasil tem uma legislação
muito robusta sobre direitos do consumidor, adotada em 1990, e que
é considerada um dos mais completos e efetivos instrumentos
de defesa do consumidor.
A WFA suporta os esforços da ABA e do Conar para reforçar
a autorregulamentação para todo o conjunto da indústria
da alimentação e espera que as soluções
sejam alcançadas com base na parceria colaborativa entre
as forças públicas e privadas. É um consenso
global das autoridades regulatórias que a questão
do sobrepeso e da obesidade é complexa e multifatorial, e
que, por isso, apenas pode ser solucionada através de compromissos
e ações múltiplas, adotadas por um amplo espectro
de diferentes stakeholders, agindo dentro de um espírito
de transparência e colaboração.
Bruxelas, 16 de setembro de 2009
Stephan Loerke Diretor Gerente
WFA - Federação Mundial de Anunciantes
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