O escritor João Ubaldo Ribeiro, em artigo intitulado “Viver corretamente”, comenta as frequentes interferências do Estado na vida das pessoas. “Não sei bem a que se pode atribuir a crescente moda de intervir na vida pessoal do cidadão brasileiro. Inclino-me a acreditar que isso se deve à falta do que fazer de um número cada vez maior de burocratas e tecnocratas”, afirmou João Ubaldo. O artigo foi publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo em 26 de dezembro.
Segundo o escritor, burocratas e tecnocratas acreditam que a ciência fornece certezas e essas certezas são tão poderosas “que devem sobrepor-se até mesmo aos valores de indivíduos ou coletividades”.
“Claro que tais certezas, que amiúde se expressam em arrogância, autoritarismo e condescendência enfarada, não são certezas de coisa nenhuma, são apenas ignorância e estreiteza de horizontes em ação”, prossegue João Ubaldo. “O resultado é que nos vemos ameaçados a todo instante de sermos obrigados a nos comportar "normalmente" ou, pior ainda, corretamente. Volta e meia, alguma autoridade baixa regras sobre como devemos fazer compras em farmácia, que tipo de tomada nos convém usar ou que equipamento passou a ser compulsório nos automóveis. Com o nosso tradicional temperamento de rebanho ovino e de "tudo bem, contanto que não me incomode diretamente", vamos deixando que esse negócio se espalhe e tome conta de nossa vida”.
A íntegra do artigo de João Ubaldo Ribeiro pode ser lida clicando aqui.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101226/not_imp658209,0.php
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