| O Conar e a Espm, Escola Superior de
Propaganda e Marketing, acabam de firmar convênio cultural
para a formação da primeira biblioteca brasileira
especializada no tema Liberdade de Expressão.
Na solenidade que marcou a assinatura do convênio, o presidente
da ESPM, professor Francisco Gracioso, lembrou que a idéia
do Centro de Referência nasceu no Conar e que ela certamente
será parte integrante da bandeira da responsabilidade social
na propaganda levantada pela ESPM. “Nós, publicitários,
precisamos mostrar que pensamos mais nos outros que em nós.
A criação do Centro de Referência vai colaborar
para a formação do senso de responsabilidade social
de nossos sucessores”.
Falando a seguir, o presidente do Conar, Gilberto C. Leifert, disse
que “a existência plena do ser humano e a noção
de civilização são hoje indissociáveis
da prática da liberdade de expressão”, lembrando
a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
“Nós brasileiros”, prosseguiu Leifert, “que
vivemos por longos anos a experiência amarga do silêncio
imposto pela força, da censura à imprensa e à
publicidade, há apenas 16 anos conquistamos na Carta Magna
de 1988 a afirmação precisa e minuciosa de direito
fundamental que é essencial para a cidadania e indispensável
à prática da comunicação social”.
Para o presidente do Conar, a criação do Centro de
Referência sobre Liberdade de Expressão reveste-se
de significado especial para a cidadania e para a indústria
da comunicação. “Nossa inspiração
terá sido premonitória, pois há pouco mais
de um ano os malsinados projetos oficiais de controle do audiovisual
e do jornalismo através da Ancinav e de um Conselho Federal
de Jornalismo sequer haviam sido revelados”, disse Leifert.
Ele identificou pressões contra a liberdade de expressão
não apenas no Congresso, onde tramitam no momento duzentos
projetos de lei que de algum modo visam limitar a publicidade e
o direito do consumidor à informação. “Normas
inferiores, como decretos e portarias, embora desprovidos de legitimidade,
vulneram direitos do jornalista, do publicitário, do cidadão.
E o Judiciário, vez por outra, também comete excessos
nesse campo”, disse Leifert, lembrando que recentemente, no
Rio de Janeiro, um comercial foi suspenso por liminar judicial e
os veículos intimados a não noticiar a decisão
judicial.
“O fato é que não existe fragilidade no texto
da Constituição. O legislador foi objetivo, preciso,
minucioso ao enunciar as liberdades públicas, cujo exercício
independe de obséquios do Estado ou dos governantes”,
disse o presidente do Conar. “Nós, que trabalhamos
com comunicação, temos o dever de difundir os direitos
que guarnecem e animam o exercício da comunicação
social”.
Leifert considera que uma das formas de se fortalecer a cidadania
se traduz no esforço da ESPM e do Conar de reunir literatura,
doutrina, jurisprudência, monografias etc. sobre liberdade
de expressão, produzidos no Brasil e no exterior, na forma
de acervo físico ou virtual, a ser disponibilizado para estudantes,
professores, pesquisadores e profissionais de diferentes campos.
“Temos certeza que os recursos e os esforços que estaremos
dedicando à causa da defesa da liberdade de expressão,
em todas as suas formas, contribuirão para elevar o conhecimento
e a prática a um novo patamar”, disse Leifert.
Ele agradeceu ao esforço dos profissionais do Conar e da
ESPM que já estão empenhados na constituição
do Centro de Referência sobre Liberdade de Expressão
e à TIM, empresa associada ao Conar e que, na pessoa de Carlos
Eduardo Toro, patrocinou a primeira fase do projeto do centro de
Referência.
Lembrando o poeta Eduardo Alves Costa e o seu “No Caminho,
com Maiakówski”, Leifert encerrou o discurso entregando
ao professor Gracioso o livro História da Cidadania, de Jayme
Pinsky, que se torna assim, a primeira obra a integrar o acervo
do Centro de Referência sobre Liberdade de Expressão
Conar e ESPM.
Para a íntegra do discurso de Gilberto C. Leifert, clique
aqui.
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