| As principais entidades representativas
dos meios de comunicação brasileiros divulgaram hoje,
em Brasília, manifesto em favor da liberdade de expressão.
O manifesto foi lido pelo presidente da ANJ, Nelson Sirotsky, durante
almoço com o ministro da Justiça, Tarso Genro. As
entidades condenaram “a interferência do Estado no livre
fluxo de informações e opiniões”.
Leia a íntegra do documento:
MANIFESTO PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO
A realização da II Conferência Legislativa
sobre Liberdade de Imprensa, com o apoio das principais entidades
representativas dos meios de comunicação do país
e da Sociedade Interamericana de Imprensa, integra as comemorações
do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, ocorrido em 3 de maio,
e dá oportunidade para uma reflexão sobre a importância
ampla e fundamental da liberdade de expressão.
Enquanto no Brasil a liberdade de expressão se consolida
como fundamento básico da democracia, em outros países
da América Latina, como Cuba, lamentável exemplo antigo,
e Venezuela, igualmente lamentável exemplo mais recente,
se busca relativizar esse valor básico para a cidadania.
O que se tem nesses países é a interferência
do Estado no livre fluxo de informações e opiniões.
As entidades signatárias deste Manifesto condenam com veemência
essa situação e esperam que os princípios democráticos
prevaleçam no continente em benefício de todos os
seus cidadãos.
A liberdade de informar e ser informado é direito essencial
para que cada um decida soberanamente sobre seu destino. Os meios
de comunicação são apenas canais para o exercício
desse direito.
No Brasil, os meios de comunicação informam, opinam
e criticam livremente, da mesma forma que são criticados
e questionados. Isso acontece a partir do que dispõe a Constituição
e de uma série de normas referentes aos direitos e deveres
dos cidadãos, dos meios de comunicação e de
seus profissionais. É uma demonstração evidente
e eloqüente da liberdade de expressão que aqui se pratica.
Apesar de toda uma legislação garantidora dessa liberdade,
preocupam a ocorrência, no Brasil, de algumas iniciativas
isoladas contrárias a ela. Um exemplo é a ameaça
à liberdade de expressão comercial contida na pretensão
de uma agência governamental de legislar sobre conteúdo
publicitário, numa clara afronta à Constituição.
Outro exemplo é a norma de classificação indicativa
para os programas de televisão, que determina restrições
à liberdade de criação e de exibição,
tornando, na prática, obrigatória e não indicativa
tal classificação. Também a sociedade deve
ser alertada para as recorrentes decisões judiciais que impedem
a divulgação de conteúdos jornalísticos
e que significam censura prévia, além de estar igualmente
atenta a projetos de lei restritivos à liberdade de comunicação,
em trâmite no Congresso Nacional.
Nos regimes democráticos, nos quais o diálogo é
a principal ferramenta de solução dos conflitos e
construção dos consensos, a liberdade de expressão
é pressuposto do qual não se deve arredar. As entidades
representativas dos meios de comunicação abaixo assinadas
esperam que o Brasil siga firme no exercício democrático,
o que nos permitirá continuar na construção
de uma sociedade aberta, pluralista e justa.
Brasília, 8 de maio de 2007
Associação Nacional de Jornais (ANJ)
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio
e Televisão (ABERT)
Associação Nacional de Editores de Revistas
(ANER)
Centro de Referência sobre Liberdade de Expressão,
do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária
e da Escola Superior de Propaganda e Marketing
Central de Outdoor
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