| A sessão de abertura do 1º
Fórum Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária
na Comunicação Social, abordando o tema "Auto-regulamentação:
conceito e importância", foi presidida pelo deputado
Paulo Henrique Lustosa e contou com a presença dos representantes
da Abert, Paulo Tonet Camargo, da Abap, Sérgio Amado, do
Clube de Criação, Marcello Serpa, e da Andi, Agência
de Notícias dos Direitos da Infância, Guilherme Canela.
Tonet historiou em sua apresentação a eficiência
da auto-regulamentação para coibir eventuais abusos
da publicidade e destacou a baixa capacidade das ações
públicas para coibir desvios de condutas mais graves, como
o consumo de álcool por motoristas, por exemplo.
Sérgio Amado, representante da Abap, lembrou a importância
da publicidade para a economia nacional, em especial para a indústria
da comunicação. Ele disse que o Conar é um
"exemplo para o mundo" e que a censura é um mal
terrível para a atividade. Destacou também a qualidade
e o talento da publicidade brasileira, reconhecida mundialmente.
Marcello Serpa, presidente do Clube de Criação, explicou
detalhadamente o papel dos criativos na agência e disse ter
uma relação de amor e ódio com o Conar. "A
publicidade não é uma arte absolutamente livre",
disse ele. "Temos de exerce-la com responsabilidade social
e o Conar cumpre este papel por meio de um trabalho que evoluiu
dia a dia".
Ele detalhou os limites éticos da auto-regulamentação
em vários segmentos anunciantes e apontou fragilidades das
leis que regulam o setor. "Imaginem a quantidade de leis e
regulamentos que seriam necessárias para fazer o que o Conar
faz. Eu o considero que a auto-regulamentação é
um sinal de maturidade da sociedade".
Guilherme Canela, da Andi, considerou o debate da questão
"urgente". Ele lembrou que as mais avançadas democracias
do mundo regulam e auto-regulam a sua publicidade e elencou alguns
temas que considera urgente discutir:
- auto-regulamentação como conceito para qualquer
atividade
- auto-regulamentação para indústria da comunicação
em geral
- a visão do o consumidor como cidadão
- o alcance da publicidade e as política para resolver problema
graves
- a questão da transparência e da divulgação
das ações do Conar
- a regulação e o setor de mídia.
"O debate é fundamental”, disse Canelas. “Não
podemos nos iludir que a restrição à publicidade
vai resolver os problemas de trânsito mas uma política
ampla de saúde público pode incorporar alguma restrição
à publicidade".
Para ele, a solução é regular sempre que a
auto-regulamentação não funcionar e estimular
a co-regulamentação, uma tendência muito presente
na Europa.
Nos debates que se seguiram à apresentação,
o deputado Lustosa lembrou da grande quantidade de projetos de lei
em tramitação na Câmara visando regular a publicidade
de bebidas alcoólicas. "É uma discussão
sobre liberdade x responsabilidade. Todos nós defendemos
a nossa liberdade mas somos muito bons para impor limites a liberdade
dos outros".
“A auto-regulamentação é boa”,
prosseguiu Lustosa. “O que devemos avançar no debate
é se ela é suficiente e quais são os seus limites
e se ela consegue acompanhar a velocidade de mudança do mercado
".
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