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O 1º Fórum Brasileiro de Auto-Regulamentação
Publicitária na Comunicação Social prosseguiu
na tarde de hoje com mais duas mesas, onde foram debatidos os temas
“Auto-regulamentação: aspectos legais”
e “Auto-Regulamentação: liberdade de expressão
e responsabilidade. governo, empresas e sociedade”. O Fórum
foi promovido pela Comissão de Ciência e Tecnologia,
Comunicação e Informática.
O presidente do Conselho Deliberativo do Instituto
Ethos, Oded Grajew, disse que a regulamentação e a
auto-regulamentação são necessárias
e se complementam. Ele considera “interessante” o modelo
do Conar e defendeu a recuperação da credibilidade
das instituições, especialmente as de regulação.
"O que está em jogo hoje no Brasil é a credibilidade
da regulamentação. Ninguém acredita que a lei
e a Justiça são para valer, e isso é péssimo
para a democracia", enfatizou.
O jornalista e doutor em Ciência da Comunicação
Eugênio Bucci concordou que o Conar é um bom modelo
para outros setores, inclusive para órgãos públicos.
"A experiência do Conar é uma escola para o Brasil,
com casos bem-sucedidos e alguns erros; mas o princípio da
auto-regulamentação é fecundo e está
muito aquém, no Brasil, daquilo que poderia render."
Ele ressaltou que "a auto-regulamentação não
reina absoluta, pois convive com a regulação e se
equilibra com ela".
O professor de Direito Tércio Ferraz Jr.,
da Universidade de São Paulo, destacou o papel da auto-regulamentação
na "compatibilização de direitos e liberdades".
O professor disse que a regulamentação interna dos
setores apresenta aspectos de lei e de contrato, mecanismos tradicionais
de controle das liberdades.
Ferraz Jr. lembrou que a liberdade de informação
deve ser levada em conta no debate sobre a proibição
da publicidade de certos produtos, como o tabaco e seus derivados.
Para Bucci, entretanto, a publicidade não tem como contribuição
fundamental o direito de informação, já que
consiste em uma forma de comunicação "interessada",
que é paga.
Segundo ele, ainda que seja essencial para a liberdade
de imprensa, pois financia as empresas de mídia, a publicidade
é "um discurso parcial, que legitimamente enfatiza os
pontos positivos de um produto ou serviço para convencer
o consumidor a comprá-lo".
O presidente do Conar, Gilberto Leifert, explicou
que o órgão "não multa e não prende,
apenas orienta o anunciante a corrigir o defeito da peça
publicitária e recomenda aos veículos que deixem de
veiculá-la". Segundo ele, o prejuízo financeiro
e moral dessa medida, inclusive com a divulgação das
decisões no site do Conar, é "um grande castigo".
Para o desembargador do Tribunal de Justiça
de São Paulo José Renato Nalini, a auto-regulamentação
é "célere, simples, acessível e previsível",
ao contrário da Justiça comum brasileira. Na opinião
do juiz, o processo de auto-regulamentação "faz
o setor ficar mais maduro e mais coeso, pois aprende a conversar
e desenvolve a democracia participativa".
Durante os debates, os participantes divergiram
sobre o Projeto de Lei 2733/08, que proíbe a propaganda de
bebidas alcoólicas, no rádio e na TV, das 6h às
21h. Leifert, enfatizou que "a publicidade não é
um mal à saúde, mas sim o consumo excessivo de bebidas
alcoólicas".
Para ele, não é possível concordar
com uma proposta que considera apenas a "parte mais visível"
do problema e não ataca as reais causas. Na opinião
de Leifert, a medida será inócua, pois as crianças
continuarão tendo acesso a conteúdos perversos pela
internet e a propagandas em outros horários.
A socióloga e pesquisadora Fátima
Jordão concordou com o argumento de que a legislação
não pode incidir apenas sobre uma das áreas ligadas
ao problema, mas destacou que se sente "confortável"
por assessorar a TV Cultura, que não veicula propagandas
de bebidas. "Sou sensível aos apelos dos operadores
da saúde, afinal a publicidade é animadora do consumo
de álcool", opinou.
Para Grajew, o objetivo do debate não é
proibir a publicidade, mas fazer com que determinado produto não
seja prejudicial à população. "O foco
é a saúde pública, o objetivo é melhorar
a saúde das pessoas", afirmou.
Para isso, Grajew sugeriu que todos os atores envolvidos
- governo, sociedade, publicitários, anunciantes, fabricantes
e operadores da saúde - discutam uma ação conjugada,
em que cada um faça a sua parte, para solucionar o problema.
(Agência Câmara)
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